O papel da liderança no contexto de crise

Por Julio Bonrruquer Neto
Caccuri Advisors

Num contexto de crise e grandes incertezas sob a qual estamos vivendo, empresas de alguns segmentos sofrem impactos avassaladores. Nestes momentos, um perfil especial de liderança pode ser verdadeiro agente transformador do novo cenário organizacional.
Aqui nos referimos à liderança com perfil tranquilizador. São aqueles líderes que possuem uma habilidade particular em gerenciar equipes em situações de elevada carga de tensão emocional. Mesmo assumindo o controle sob condições de incerteza, promovem o equilíbrio emocional da equipe e desta forma potencializam os seus resultados. A sua habilidade estabilizadora é o elemento chave na capacidade da organização responder à crise.
Podemos destacar algumas práticas e características importantes neste padrão de liderança. Em primeiro lugar sua atuação está baseada na transparência das informações. É preciso assumir a vulnerabilidade sob a qual a crise nos coloca. Seja ela relacionada às nossas equipes, à manutenção do negócio ou sob a ausência de planos de contingência. A informação deve nos dar a dimensão do problema. Por mais dura que seja, comunicá-la é o ponto de partida para conquistar apoio e desenhar as soluções necessárias.
Um segundo elemento essencial é a empatia. Lembre-se, uma crise reforça as fragilidades já existentes na nossa sociedade e nos expõe a novos pontos de fragilidade. A que estamos vivendo em especial, coloca em risco e reposiciona a rede de apoio, essencialmente composta pela família, escolas, babas e empregadas de todos os colaboradores. Além disso, a nova realidade revela nuances nem sempre percebidas na vida corporativa, podendo reforçar comportamento extremos. Muitas pessoas, em momentos de ansiedade, se sobrecarregam e absorvem responsabilidades em excesso. Outras, por sua vez, ficam paralisadas e mal conseguem gerenciar sua própria produtividade. A liderança deve reconhecer a necessidade da gestão emocional para que todos possam passar pela tormenta juntos e mais fortalecidos.
Todas as crises requerem ações imediatas, porém nem sempre conhecidas ou testadas. Reconhecer que o novo caminho vai ser baseado no aprendizado e experimento é essencial para que as equipes tragam soluções criativas e sejam capazes de resolver novos problemas. Nem sempre teremos as informações e os tempos ideais disponíveis. Por outro lado, não podem faltar atitude e inovação na busca de um resultado para o bem coletivo.
Não há duvida que a forma como a empresa lida com a crise determina o seu futuro. Mais do que nunca, sua postura pode ser a diferença para um mundo pós-crise. Precisamos de líderes com mindset de longo prazo. Somente desta forma a resposta da organização vai extrapolar sua própria sobrevivência financeira e sim contribuir, de forma relevante, para a sociedade que se desenha no pós-crise.